“Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino”. Ao orarmos temos que compreender que tudo o que recebemos não é resultado das nossas obras, mas é graça, e graça é tudo aquilo que precisamos, mas não merecemos. Eu recebo, não por ser digno de receber, mas exatamente por que não mereço, isso é graça.

Não podemos chegar diante de Deus fiados em nossa própria justiça. E não podemos pensar que será pela quantidade de tempo de oração que Ele irá nos atender. Ele nos atende por meio de uma realidade: a obra que Ele fez. Quando orarmos, temos que visualizar mentalmente o Calvário (onde Jesus derramou o Seu sangue), pois por meio dele podemos perceber a graça do Senhor, o privilégio que temos de chamar Deus de Pai. E podemos chamá-lo por causa do sangue de Jesus, pois foi Ele que nos outorgou essa bênção tão gloriosa.

Existem milhares de religiões na Terra, mas só a fé cristã tem a revelação de Deus como Pai; nenhuma outra religião conhece a Deus como Pai. Por isso, Jesus disse: Qual o pai que se o filho lhe pedir peixe lhe dará outra coisa? Nós conhecemos a Deus como Pai.

1 Pedro 1.18 e 19, diz: “[...] sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo [...]”.

É pelo sangue do Senhor que podemos chamar Deus de Pai. O Senhor é o Deus que tudo criou, gloriosamente, mas quando Ele entra no seu coração você pode chamá-lo de Paizinho. A nossa oração é o nosso relacionamento com Ele. “Orai sem cessar”, dê a Ele o seu coração.

Um grande problema que pode existir é o de fazermos a transferência do nosso pai biológico para Deus, no sentido da ausência, da falta de carinho, do não cumprimento das promessas sofridos; mas pela obra do sangue do Senhor, por meio do sangue dele, como diz a Palavra:“[...] fomos resgatados, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!”, você pode chegar diante dele como filho.

Se você transferir o seu relacionamento daqui da terra para Deus, ficará muito confuso, mas se começar a vê-lo como Pai, passará horas e horas diante dele, recebendo amor, atenção e carinho jamais imaginados. E essas horas passarão tão depressa, porque a oração começa como um dever, mas depois que se começa vem o nível chamado deleite. Jesus não precisa pedir nada em oração. Então, por que tantas vezes O vemos orando? Era apenas a comunhão, deleite. Deleite é aquilo que você mais preza, o que você gosta, deleite é aquilo que lhe dá prazer. Religião é obrigação; as pessoas, muitas vezes, têm a compreensão de obrigação, de dever. Deleite é diferente. É verdade que tudo começa como obrigação. Você começa a vida de oração como obrigação, mas, à medida que esse hábito é desenvolvido, você chega ao nível de deleite. E quando chega a esse nível, percebe que o seu prazer é Deus.

“Pai nosso que estás no céu”. Céu não é somente aquele lugar para o qual iremos depois que morrermos. Ele começa aqui, é onde a presença de Deus é real, é onde vivemos a comunhão com o Pai. Mesmo no fundo de uma cela, mesmo em uma situação terrível, você pode viver no céu. Céu não é simplesmente um lugar, é mais do que isso, é o seu relacionamento com o Senhor, é viver na presença Dele, enquanto inferno é a ausência de Deus, é a separação.

Pai Nosso. Não é um relacionamento distante, mas de Pai para filho. A oração é para provocar comunhão, relacionamento, intimidade. A única maneira de conhecermos a Deus é pelo relacionamento, por meio da Palavra e da oração.

Pr. Márcio Valadão

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