“… Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mt 20. 25-28)

Nada pode escravizar tanto uma pessoa como a religião, e nada na religião tem feito mais para manipular e destruir as pessoas do que o ensino deficiente sobre servir com submissão.

Se o verdadeiro serviço deve ser entendido e praticado, é preciso distingui-lo claramente do serviço farisaico.

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro de que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2. 15).

O mercado ministerial é muito concorrido hoje. Não são poucos, os que passam pelas Faculdades Teológicas, creio, com uma visão missionária. Muitos, ao saírem, têm um preparo teórico ótimo, mas sem os requisitos exigidos pelas Escrituras Sagradas para ser um servo. Servir, sim, mas ser servo… É, são pessoas orgulhosas, exaltadas,
pretensiosas, egocêntricas, gananciosas, sem chamado e nem convicção ministerial. Querem fama, reconhecimento, destaque, dinheiro e por ai vai. Mas ser um servo? Digo, um servo autêntico? Não. Nem pensar!

Há uma hesitação compreensível acompanhada de qualquer discussão séria do serviço. Experimentamos em temor que surge mais ou menos assim: “Se eu fizer isso, as pessoas vão tirar vantagem de mim; elas me pisarão.” É aqui que devemos ver a diferença entre escolher servir, e escolher ser servo.

Quando escolhemos servir, ainda estamos nos comando. Decidimos a quem e quando servir, se estamos no comando, nos preocupamos muito sobre alguém pisar-nos, isto é, dominar-nos.

Mas quando escolhemos ser servo, abrimos de mão ao direito de estar no comando. Há nisto uma grande liberdade. Se voluntariamente escolhermos deixar que tirem vantagem de nós, então não podemos ser manipulados. Quando escolhemos ser servo, sujeitamos ou redemos o direito de decidir a quem e quando servir. Tornando-nos disponíveis e vulneráveis. É aqui que encontramos a diferença entre o servo farisaico e o servo autêntico; digo, verdadeiro.

O servo farisaico serve por esforço humano. Ele gasta somas de energia calculando e planejando como prestar o serviço. Já o servo autêntico; digo verdadeiro, o seu serviço provém de um relacionamento com o divino em nosso íntimo.

O servo farisaico impressiona com a “aparência”. Ele está interessado em registra lucros impressionantes no “placar” eclesiástico. Já o sevo autêntico; digo, verdadeiro, acha quase impossível distinguir entre o serviço pequeno e o serviço grande, onde se observa a diferença, o servo autêntico; digo, verdadeiro, parece frequentemente atraído pelo serviço pequeno, não por falsa modéstia, mas por que ele ver genuinamente como o serviço é importante. Ele recebe com agrado, indiscriminadamente, toda oportunidade de servir.

O servo farisaico demanda recompensas exteriores. Ele precisa saber que as pessoas vêem e apreciam o seu esforço. Ele busca os aplausos dos homens – com a devida modéstia religiosa, é claro! Já o servo autêntico; digo verdadeiro, descansa no anonimato. Ele vive a partir de um novo Centro de Referência, o aceno divino de aprovação, é o quanto basta.

O servo farisaico está muitíssimo preocupado com os resultados. Ele espera que as pessoas servidas o retribua na mesma moeda. Amargura-se quando os resultado ficam aquém das expectativas. Já o servo autêntico; digo, verdadeiro, está livre da necessidade de calcular resultados. Ele deleita-se apenas no serviço. Pode servir os inimigos com a mesma liberdade com que serve os amigos.

Do livro, O “Espanto” de Deus 

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